sexta-feira, 26 de junho de 2015

As freiras 2


A madre enfermeira era francesa, bem bonachona e sorria um riso grave e complacente, na hora de aplicar uma injeção fazia um biquinho e soltava um sshhhhhh... alguém desavisado pensaria que ela estava exigindo silêncio, mas não, o chiado era um cacoete mesmo.

Foi enfermeira na segunda guerra, na mesa do consultório havia uma foto dela jovem, vestida de habito e chutando uma bola, num acampamento aliado em Monte Castelo. Contava historias ótimas de sua terra e mesmo, quando narrava sobre a guerra, nunca carregava nas tintas feito uma pessoa que sabe que todo pesadelo acaba.
Não foi só a grande fé que tenho na humanidade que eu herdei dessa senhora, ela me deu uma edição do "O pequeno príncipe", dai em diante, meus escritores me iluminaram.
A madre Maria Mourão era mineira, mulata e muito jovem e eu gostava muito dela, em algumas ocasiões, quando eu aprontava uma boa, as pessoas recorriam a ela, ela vinha com ares graves e me passava um sermão, longe dos olhos das outras freiras me punha no colo e dizia que não tinha sido nada e me aconselhava a viver bem.
Varias vezes, em épocas de festas, me levava pra casa de seus familiares em Minas, quando passeávamos pela cidade e ela não usava o habito, dizia pros moradores que era minha mãe.
A madre Denise, era na verdade uma noviça tinha uns vinte anos.
Era a catequizadora, tinha um jeito especial de ensinar as coisas da bíblia, sem impor, contava as passagens sentadas, com as pernas cruzadas e o violão no colo, muitas vezes ela se empolgava e a música sacra virava bossa nova, não fosse o seu habito marrom, ela parecia mais uma hippie.
Fazia faculdade e era também a psicóloga do colégio, quando ia fazer uma avaliação e o menino se mostrava arredio, me mandava chamar, eu chegava ao teatro, à madre no canto com a prancheta na mão, geralmente eu pegava uma daquelas cadeiras de marfinite, virava ela com os pés pra cima e a cadeira virava um carrinho, punha o guri sentado nela e empurrava, bastavam uns segundo e pronto... um sorriso e o menino começava a brincar, sentada na sua cadeira a madre podia analisar o perfil dele, por esse serviço eu só cobrava um pacote de bolacha recheada.
A madre Denise foi a pessoa que disse que eu seria professor.
_Professor de Historia, irmã ????
_Duvido do jeito que você é atentado, é bem capaz de ser de Educação Física.
AH, boca abençoada.

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