Nasci na capital de São Paulo e a minha primeira infância foi passada num colégio de freiras no Ipiranga.
Não conhecia a leitura, mas conhecia o mar dos versos de Vicente de Carvalho, que a irmã Dolores recitava e das canções de Dorival Caymmi.
No mês de Janeiro, ficávamos acampados em Bertioga, numa escola municipal, no primeiro dia, mal o sol nascia, as freiras nos levaram para a praia, era, na época, uma praia vazia e antes de vermos o mar, já ouvíamos o seu barulho, com cinco anos eu tive medo.
Quando pisei na areia, vi aquela imensidão, lá longe o sol principiava a subida e parecia pequeno, diante da imensidão daquele azul.
Os outros meninos já estavam dentro d'água e eu olhava tudo com medo, seria redundância dizer que eu me sentia pequeno, já que, eu era realmente pequeno, uma onda veio me buscar, deixei que ela cobrisse os meus pés, estava gelada, me afastei.
No horizonte, o sol já subia metade do corpo, a minha pouca idade tentava entender, aquilo tudo era muito maior que os versos do poeta ou a música, a irmã Dolores chegou perto e pegou minha mão:
_Mar, esse é o Nilton... Nilton, esse é o mar.
Foi andando comigo pra dentro da água, quando a água já chegava na altura do seu joelho, parou e ficou esperando que eu soltasse a sua mão, soltei e fui ter com os outros guris.
Lá pro meio dia, não tinha ninguém que me tirasse da água.

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